Sórdidas S.A.

Gilda…

Abril 13, 2009 · 1 Comentário

Às vezes me pego pensando em Gilda… em toda sua volúpia. Lembro-me do flerte de Gilda e da primeira vez em que tocou meus ombros. Era dia de festa, e me tocou para que me voltasse para si e sorrisse. Foi a primeira vez em que prestei atenção naquela figura e levei dias para digerir todas as impressões de um simples toque.

Gilda me fez seu objeto de cobiça e passou a deixar isso claro. Sorrisos, conversas, olhares e toques. Não conseguia me ver sem me tocar ou beliscar. Sem se oferecer descaradamente, sem perguntar onde me escondia. Sem me fazer corar ou estremecer.

Passei a encontrar Gilda em ambientes boêmios, como deveria ser. E nesses ambientes, era magnetismo puro – combinava charme, exuberância, inteligência e uma leve arrogância. A arrogância natural de quem geralmente é o objeto do desejo alheio – nesse caso, do meu também. Observava em transe todos os seus movimentos e a maneira como se dirigia a mim, sabendo que mais cedo ou mais tarde, me faria ser sua.

Numa dessas noites não me deixou ir embora: me segurava pela cintura e insistia no que eu também queria, mas me negava – sabia que seria um caminho sem volta. E continuei negando. E vieram outras noites regadas à vinho, risos, joguinhos, insistência e àquele corpo que exalava sexo. Lembro-me de ambos ébrios,  rindo… recitava Pessoa no meu ouvido enquanto eu ria. Apertava minha cintura contra a sua toda vez em que me despedia e me pegava pelos cabelos, na esperança de que seu beijo me fizesse mudar de idéia. Não entendia como sua caça conseguia ser arredia a ponto de não fazer diferença qualquer coisa que fizesse, qualquer lugar que apertasse.

Durante nossa convivência diurna, Gilda era o sorriso lascivo, o rosto se oferecendo para um beijo, as mãos me apertando a cintura nos corredores que partilhávamos, o olhar fixo e desconcertante quando estávamos conversando com mais pessoas. O riso debochado quando precisava de sua ajuda, como maneira de punição por não sucumbir.

Seguimos assim, entre noites ébrias e dias tensos. E como é permitido a todos os mortais,  um dia sucumbi ao seu capricho. E pertenci à Gilda por uma noite. E nessa noite, Gilda deixou de ser um mito para ser o homem. O homem a altura do mito. E eu deixei de ser o objeto de caça para ser Mariana, mulher.

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1 resposta Até agora ↓

  • Val // Abril 13, 2009 às 4:33 pm | Responder

    Uau! Uau! Ninguém é e será igual a Gilda! O que dizer após a saborosa leitura dessa narrativa? É que Gilda, como a maioria dos tontos, é um grande tonto, a adrenalina e o curto-circuito que vcs provocavam, nao deveria jamais ser saucumbido à rotinas…. Fazer o quê, né?
    Um beijo imenso, flor!
    Tetetetetete!

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